VIAGEM DE MOTO: CURITIBA OFF ROAD

mundo COMPACT

Fonte: Moto Adventure

Moto Adventure se aventurou pelas trilhas off road da capital paranaense. Acompanhe o relato de uma motociclista que desbravou as terras com coragem e sagacidade de quem faz o que ama

Curitiba (PR)

Quem curte off road de big trail geralmente adora conhecer novos roteiros.Quando assisti a um vídeo de Fernando Brasil de BMW F 800 GS na “Trilha dos 7 Rios”, perto de Curitiba (PR), em um cenário lindo com off road desafiador, contatei Allan May (guia e autor do vídeo) para combinarmos esse “rolê”. “Allan, pode ser numa quarta?”. E a resposta foi: “Claro, dou um jeito de tirar folga do trabalho”. Chique, não acham? Quem assume o estilo de vida de moto aventura vai organizando a vida para se dar esse direito!

De SP a Curitiba, sem stress

Saí de Sampa pela Rodovia Castelo Branco até Sorocaba, peguei a interligação para a Rodovia Raposo Tavares e segui sentido Piedade. A sinuosa SP-79 passa pela Serra de Paranapiacaba, com a mata bem próxima – são 120 km no frescor da vegetação até chegar à BR-116, em Juquiá, e logo a estrada volta a ficar rodeada de verde até Curitiba.

allan COMPACT

 

Pneus Mitas E-09

Eu queria testar uns pneus mais “off”, então fui até a Jarva, importadora dos pneus Mitas, na João Negrão, a “Rua das Motos” de Curitiba. Escolhi o modelo E-09, especial para big trails para uso 80% off road e 20% asfalto. Lá perto fiz a troca dos pneus na Moto Rides. Encontrei Allan no Hard Rock Café, com o casal motociclista Fernando e Lilian – amizades virtuais tornando-se reais, assim como a trilha na manhã seguinte!

Só off Road, de Curitiba a Ponta Grossa

Eu de BMW G650 XCountry, Allan de Suzuki DRZ 400, ambas ano 2008 e raras por aqui. “Tratores” monocilíndricos, leves, boas para o off road e também para viajar no limite de velocidade das estradas. Do bairro Santa Felicidade já saímos por estradas de terra e logo começaram os “carreirinhos”, trilhas íngremes com erosões e lama, saindo e voltando para a estrada principal. Senti a frente arisca, baixei a calibragem e aí sim os pneus honraram sua proposta, transmitindo confiança para acelerar em cascalho denso, areiões de fazendas de eucaliptos, poças de lama e rios com pedras.

 

Allan May COMPACT

Fomos até a Lagoa Azul, uma pedreira desativada, e seguimos por fazendas em Campo Magro e Campo Largo, com paisagens de mata e araucárias em estradas gostosas de acelerar, com curvas abertas, levantando poeira – os primeiros roteiros dos trilheiros paranaenses, entre Curitiba e Ponta Grossa. Chegamos à Trilha dos 7 Rios, na Serra de São Luiz do Purunã, onde o rio é cortado sete vezes pela trilha. Na primeira travessia, na saída, a moto entalou numa cava com lama. Desvantagens do aro 19”, baixa distância do solo e peso, mas essa é a “diversão” ao fazer trilha de big trail!

Após esforços para desatolar, seguimos por single track na grama até a próxima travessia, com pedras maiores. Minhas pernas, que são curtas para apoiar, causaram tombos na água rasa e nas subidas com erosões, sempre com muitas risadas, mas o “perrengue” foi quando a bateria da minha moto arriou devido às paradas nas dificuldades e o excesso de partidas. Allan tinha um cabo de “chupeta” e a valente DR deu força para a 650! Seguimos até a Cachoeira da Mariquinha, em Ponta Grossa, totalizando 120 km de off road. No poço da cascata de 30 metros de altura, tiramos a poeira e terminamos de lavar a alma!

Voltei para Curitiba debaixo de chuva e os pneus deram boa aderência – somente a frenagem perdeu alguma eficiência. No retorno para São Paulo, passei na Cachoeira da Capelinha, no Parque Estadual do Rio Turvo, em Cajati (SP), um recanto logo antes do retão calorento da Régis, com acesso fácil por 3 km de asfalto com algum cascalho. Subi a SP-79 com mais cautela nas curvas, mas pela segurança que dá nos piores terrenos, vale à pena usar os “sapatos” de trilha!

Não se esqueça de fazer um check-up da moto na Casa Fernandes antes de sair na estrada!